Quando a última árvore tiver caído, o último rio tiver secado, quando o último peixe for pescado, vocês vão entender que o dinheiro não se come.

Greenpeace

I hope that God exists!

Ana Cristina Dias anadiasartist@gmail.com


sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

O gato ao Luar



O Gato ao luar, Acrílico sobre papel, 70x100cm

Todos lhe chamavam o Lobisomem, mas não passava de um pachorrento e meigo bichano que só saía quando havia luar, era tão medroso que qualquer ausência de luz era suficiente para ficar em casa dias e dias. Vivia numa mansão que tinha a fama de ser habitada por fantasmas, diziam as pessoas da terra que há noite de lua cheia ouviam-se uivos e que as as sombras se mexiam. quando a lua dava sinal de si, o Gato ficava tão feliz que emitia mius sonoros e de tanta alegria corria tanto e tão rápido que só o rasto da sua sombra se via.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

o Urso teimoso



o Urso teimoso, Acrílico sobre papel, 70x100cm, 2010

quadro dedicado ao meu pai

A selva estava a atravessar uma época terrível, nenhum bicho se lembrava de ver outra igual, a crise era tal que famílias inteiras partiam em busca de alimentos, só isso comandava as suas mentes, alimentarem-se. O velho urso teimava em permanecer, sentado esperava que melhores dias viessem, restava uma única couve que um dos bichos em fuga deixou cair sem dar por isso. Esperava sem nada fazer.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010



o sr Ladrão, Acrílico sobre papel, 70x100cm, 2010

Era mais do que certo, depois do almoço o Puma caía no sono, por sua vez o Gato ficava à espera , mais dois ou três minutos e era um sono profundo, só assim podia deliciar-se com as suculentas sobras da refeição do Puma. Duas sardinhas, melhor que nada! era paciente o bichano e também preguiçoso, só roubando conseguia manter o seu ar galante e conquistar todas as gatas do beco. Pensavam elas que ele mantinha uma vida de luxo e por isso roçavam-se no seu pelo enquanto soltavam sedutores ron rons .

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010




O Colibri, Acrílico sobre papel, 70x100cm, 2010

Um dia uma semente veio arrastada pelo vento e caiu num terreno de erva verde , por acaso essa terra era onde a Anita costumava brincar e só por isso pensava que era sua, sendo assim também a flor o era. Por ali costumavam pastar dezenas de Antílopes, fartos de comer erva toda a vida passaram a olhar a flor como uma suculenta sobremesa, mas esta era religiosamente guardada pelo Colibri, este tinha que olhar por ela e sempre podia beber-lhe a seiva doce.
Certo dia,uma pequena distracção e a flor estava na boca de um dos Antílopes. Não restava ao pobre Colibri senão ouvir um duro sermão e esperar que o vento traga outra vez uma pequenina semente .

sábado, 30 de janeiro de 2010



Uma Andorinha em Lisboa, Acrílico sobre papel, 70x100cm, 2010

Era mais do que certo, este ano a Andorinha não partiria com as outras, gostava de voar no céu de Lisboa, gostava dos telhados das velhas casas dos bairros mais tradicionais e sempre havia alguém quem a pudesse alimentar, estava decidida e o frio jamais era um obstáculo à sua decisão, conhecia uma casa, lá prós lado do Chiado que tinha uma grande cabeça de urso polar pendurada na sala de jantar e a rapariga que ali morava deixava-a entrar e aquecer-se quando o frio apertava. Ficava em Lisboa.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010




eu e a amiga Maria Fernanda, da Galeria Belo Belo em braga, exposição individual em 2005. um abraço com carinho a esta amiga que me tem dado conselhos e força para continuar a pintar

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010



O Gato vaidoso, Acrílico sobre papel, 70X100cm, 2010
Pintura de Ana Cristina Dias

Parecia mais umas das muitas peças luxuosas da casa da dona Arminda, o D. gato não se deitava se não fosse na sua almofada de veludo e perto da janela, para que os outros o pudessem ver, às vezes ainda trazia nos bigodes pedaços de salmão, dava-lhe gosto ver a expressão dos pobres vádios na rua enquanto procuravam no lixo algo para comer , babavam-se só de ver o vaidoso, o único luxo que tinham era aquela imagem do banquete pendurado nos lustrosos fios de bigode do gato burguês.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010



O segredo, Acrílico sobre papel, 70x100cm, 2010
Pintura de Ana Cristina Dias

Desde que se levantava o Pinguim segurava uma grande e antiga chave de latão, fora-lhe dada pelo seu pai, a este pelo seu, ao seu avô pelo seu e assim esta chave permanecia na sua família desde sempre.Por de trás desta herança havia um segredo e quando era a hora de o passar, era entregue a chave de latão, ela não era mais do que um simbolismo como quem diz " guarda este segredo bem guardado", mas o tolo não percebera isso e desde a morte do seu pai o Pinguim andava para a frente e para trás com ela, não lhe servia para nada, talvez um dor de costas e uma tremenda trabalheira quando queria ir pescar, mas havia sempre quem tirava partido, todos os dias as aves que sobrevoavam os céus da terra do Pinguim, pousavam na chave e ali ficavam a descansar até recuperar o fôlego.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010



Pintura de Ana Cristina Dias
Sem retorno, Acrílico sobre papel, 100x70cm, 2010

Todos os dias pela mesma hora o sr Veado corria pelo planalto, debaixo de sol ou chuva, sabe-se lá porquê! comentavam os outros, mas sempre habituados à sua presença ofegante e rotineira. Pendurado ao pescoço estava um grande coração dourado, diziam que tinha vindo de um lugar longínquo, trazido por uma bela fêmea que veio lá dos lados do Minho, nenhum bicho do planalto sabia onde ficava tal terra. o sr Veado farejava o ar em busca da dona daquele coração ainda não compreendia que existem coisas nesta vida que não têm retorno.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010



O Poderoso, Acrílico sobre papel, 70x100cm, 2010
Pintura de Ana Cristina Dias

Ainda ninguém sabia como o Urso tinha reunido tanta riqueza, ele por sua vez aproveitava-se desse mistério e inventava histórias do arco da velha , para que elas se tornassem verdade na cabeça dos outros ele libertava todos os dias ao anoitecer um poderoso e ruidoso uivo, aquilo resultava e na hora do recolher todos os faziam debaixo de medo .
Na verdade, o trono não era mais do que uma simples ferramenta que ele usava para esconder uma alma de gatinho manso que vivia dentro dele.